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De entre as praças, largos e jardins existentes em Mondim de Basto, nenhum se equipara em história e simbolismo ao Largo do Jardim 9 de Abril. Localizado no interface do centro histórico da vila com a antiga veiga do Valinho, o largo ocupa uma área de cerca de 2.000m2, configurando uma planta quase triangular, com um ângulo obtuso pouco pronunciado, estando o cateto menor orientado para SSE, a facear com o lado Sul da primitiva rua de Viacova, a hipotenusa voltada para ENE, ladeando a velha EN 18-2 e o cateto maior direcionado para o logradouro do casal de Santa Maria e para a casa da Renda, a poente. O espaço interior, organizado em canteiros relvados, demarcados por lancis de pedra, é definido por dois canteiros circulares, colocados nos pontos extremos, ligados entre si por larga avenida empedrada. No círculo maior, a Sul, ergue-se um monumento aos Mortos da Grande Guerra e no círculo menor, a Norte, levanta-se uma coluna relevada encimada por urna.
Apelidado no passado de Largo do Rego ou Largo Municipal do Rego, Largo de Camões e Jardim Público, foi batizado em 1930, com o nome Praça 9 de Abril, em homenagem aos mártires da pátria (de modo particular os naturais do concelho de Mondim de Basto), sacrificados na batalha de La Lys (painel I, painel II e painel III), na Flandres, em 9 de abril de 1918, ao serviço de Portugal e das forças aliadas, durante a I Grande Guerra.
A ideia de construir uma praça no lugar do Rego deverá remontar aos finais do século XIX, provavelmente por influência dos jardins públicos que iam surgindo em localidades próximas , como resposta à necessidade de criar espaços de convívio e lazer, compagináveis com a estética romântica, destinados a uma nova elite burguesa, recheada de capitalistas “brasileiros de torna-viagem”.
Embora Mondim de Basto possuísse um Largo Municipal (denominado Largo Conde de Vila Real, desde 1900), junto dos Paços do Concelho, cuja centralidade era factor de atração dos mondinenses, este espaço não possuía escala compatível com as novas exigências da sociedade, estando estrangulado pelo edificado (casa do Eirô de Baixo, casa da Câmara e casario fronteiro) e pela EN 18-2, que rasgara a vila, paralela à Rua Velha, até ao lugar do Prazo. Deste modo, a criação de um jardim público no lugar do Rego, podia quase considerar-se um prolongamento do Largo Municipal para poente, apenas seccionado pela dita estrada nacional.
A construção do Largo do Rego demorou cerca de 20 anos a executar, tendo-se processado em 3 fases distintas. A primeira, entre 1910 e 1917, estruturou a primitiva praça, provavelmente circunscrita à parte norte do largo atual. A segunda, dos primeiros anos da década de 1920, alargou a praça para Sul, à custa de alguns terrenos e da demolição das velhas casas que faceavam, de Norte, a rua de Viacova. A terceira e última fase, que ocorreu entre 1926 e 1930, compreendeu a arborização, ajardinamento e implantação do monumento aos heróis da guerra.

Nos inícios da década de 1910, a construção do Largo do Rego já devia estar em marcha, com a Câmara empenhada na angariação dos terrenos necessários ao projeto. Só assim se explica que o executivo, em 14 de junho de 1913, tenha deliberado, por unanimidade, aceitar a oferta feita por José de Carvalho Camões de terrenos sitos no lugar do Rego, exarando na ata da respectiva reunião “agradecer ao mesmo dando-lhe um voto de louvor” e, no mesmo ano e mês, ter deliberado pedir autorização superior para expropriar “um tracto de terreno e casas, sitas no lugar do Rego”, pertencentes a Emília Martins , com o objectivo de “ fazer um largo no mesmo local” . Aliás, já no ano anterior de 1912, aquando da construção do “palacete” do Dr. Joaquim Augusto Alves Ferreira, juiz na comarca de Torres Vedras, no lado sul da rua de Viacova, a Câmara tinha conseguido retificar o traçado da rua, à custa de terreno cedido pelo proprietário , o que indicia preocupação do executivo em relação ao espaço que delimitaria, de Sul, o Jardim Público.
Em 1915, a Câmara pagou a José da Mota, calceteiro de Braga, a importância de 18$71, por demolições e algum trabalho de calcetaria no então denominado “Largo Municipal do Rego” e, em 1917, a Manuel Boavista, pedreiro de Mondim de Basto, 30$63, por terraplanagens e outras obras de alargamento no mesmo largo , trabalhos que deverão estar relacionados com a transladação da capela de Santa Quitéria, deste local para junto da Casa do Eirô de Baixo. No final desse ano, com o largo já pronto a receber algum mobiliário, foi solicitado a José Garcia, pedreiro de Vilar de Viando, que construísse 6 bancos de pedra, gastando o município com aquela encomenda a importância de 45$30 .

Em 1921 teve início a ampliação do largo, com inclusão do espaço ocupado por diversos prédios urbanos. Para tratar da sua aquisição, o executivo encarregou um dos seus membros, registando na ata de 26 de maio desse ano, tal decisão. As negociações com os proprietários dos prédios deverão ter corrido sem quaisquer sobressaltos, estando concluídas no mês de setembro seguinte, tal como se infere pela ata da reunião do executivo de 29 daquele mês, quando foi deliberado pagar: “a Bernardo Alves Machado, casado, proprietário desta vila, 6.000$00, importância por que vendeu a esta Câmara para alargamento do largo do Rego desta vila, uma morada de casas e terreno contíguo, a Francisco Reis, casado, negociante desta vila, 2.500$00, preço por que vendeu a esta Câmara uma morada de casas sitas na rua de Viacova para alargamento do dito largo do Rego, a Alcina Vaz Guimarães, solteira, proprietária desta vila, 4.000$00, importância por que vendeu ou vai vender a esta Câmara uma morada de casas, terrenos contíguos e outras casas em ruínas denominadas de “Magusto” para continuação do largo do Rego desta vila”. É muito interessante constatar que uma parte da verba que a Câmara gastou com esta operação de compra de casas e terrenos para alargamento do Largo, foi suportada pela comparticipação financeira de alguns cidadãos, nomeadamente do Conselheiro Joaquim Augusto Alves Ferreira e de António Gaspar Lopes, comerciante no Recife, o que releva sobre a consensualidade deste projeto, pelos grandes benefícios que trazia à vila.
O posicionamento capital do novo espaço, haveria de ser determinante para a Câmara deslocar a “feira anual que he de costume realizar-se no Olival do Senhor desta vila no dia 5 de Setembro para o local desta vila denominado Largo do Rego”, deliberando dar a maior publicidade ao facto, certamente pela arreigada tradição da população ao antigo local da feira .

Como a praça dispunha de poucas árvores, decerto circunscritas ao espaço intervencionado na primeira fase, a partir de 1926 o projeto focou-se na arborização e ajardinamento do largo, com a colocação do mobiliário urbano indispensável. Assim, na primavera de 1926, a Câmara comprou à firma Afredo Moreira da Silva e Filhos, horticultores da cidade do Porto, um total de 24 rubíneas nº 18, chegadas a Mondim em duas encomendas, tendo sido despendida a verba total de 396$00 , a que acresceu a importância de 115$50, dos gastos de transporte, plantação e adubação, tarefas de que se encarregou José Teixeira Torres, negociante da vila .
Dispostas as rubíneas a circundar a plataforma do jardim municipal, impunha-se, agora, organizar o espaço interno. Terá sido, por esta altura, que surgiu a ideia de erguer, neste local, um monumento aos heróis da I Grande Guerra, homenagem que se tornou mais premente face ao golpe de estado de 28 de maio de 1926 e ao regresso dos militares à cena política. Embora a comemoração do dia 9 de abril, em Mondim de Basto, já fizesse parte, pelo menos desde 1921, das celebrações do município, o apelo da Junta Patriótica do Norte e o incentivo à construção de monumentos concelhios, por parte da Comissão de Padrões da Grande Guerra, dariam grande impulso para a sua edificação.
Perante as dificuldades financeiras com que a Câmara sempre se debatia, tomou o encargo de levantar o monumento aos soldados do concelho tombados na guerra, José de Carvalho Camões, solteiro, “proprietário capitalista desta vila”, um dos grandes beneméritos locais, a quem o município já no passado louvara pela oferta de terrenos cedidos para a construção do Largo do Rego. Por todas estas razões, o executivo tinha decidido atribuir à praça o nome “Largo de Camões”, denominação que chega a aparecer em alguns documentos oficiais, nomeadamente em plantas de expropriação de terrenos contíguos, sitos no Escourido.
Entretanto, a Câmara incumbiu-se de levar avante algumas das infraestruturas, trabalhos que decorreram durante o ano de 1929, como se comprova por diversos pagamentos registados nas atas das suas reuniões. Assim, na sessão do dia 14 de novembro eram autorizados os pagamentos da importância de 330$10 a “Joaquim Garcia, casado, pedreiro desta vila, dos seus salários e mais quatro operários, pelo corte de dez carros de pedra, preparação do assentamento da mesma para soleiramento ao lado do jardim público do Largo de Camões” e de 120$00 a “Cândida Gaspar de Oliveira Basto, solteira, hoteleira desta vila, de hospedagem e alimentação por ela fornecidos ao montador eletricista Sr. Carlos Xavier durante 8 dias, que veio dirigir a ligação da luz eléctrica aos postes de ferro, que se acham colocados no Largo de Camões ao lado do jardim público” . Na sessão do dia 5 de dezembro, seguinte, era paga a importância de 431$30 a “António José Nunes, chaufeur desta vila, de material eléctrico que forneceu para a instalação da luz eléctrica no jardim publico desta vila e trabalho na mesma instalação” .

Por solicitação de José de Carvalho Camões, o Presidente da Câmara convocou uma sessão extraordinária do órgão executivo, com a finalidade de receber “o jardim e monumento aos mortos na Grande Guerra”, tendo sido exarado na respectiva ata que a Praça se passaria a chamar 9 de Abril, por vontade expressa do mecenas.
O monumento aos mortos da I Grande Guerra, erguido na Praça 9 de Abril, em Mondim de Basto, é uma estrutura tipo Padrão, da autoria do arquiteto e militar, Tenente João Marcelino de Queirós. É composta por uma base prismática, encimada por um plinto paralelepipédico que é rematado por uma peça escultórica (10.1; 10.2; 10.3), com as faces frontal e posterior desenhando o escudo de Portugal (com as cinco quinas representadas por pequenos retângulos), de onde irradia a cruz de Cristo e as faces laterais marcadas pelo topo do braço da cruz, atravessado por uma coluna relevada, com decoração vegetalista.
Nos quatro lados do plinto rasgam-se nichos rectangulares, pouco profundos, preenchidos por motivos simbólicos e memórias da guerra. A face central alberga uma escultura em bronze, com assinatura do autor indecifrável, representando o retrato de um soldado da 1ª Grande Guerra. Sob a escultura está gravada a inscrição AOS QVE, (prolongando-se para a base) MORRERAM NA GUERRA / (e em relevo) 1914-1918 . A face posterior do plinto integra no nicho um motivo relevado, representando o mundo, envolvido por uma decoração vegetalista. Sob esta, na base, está gravada uma inscrição, hoje quase ilegível.
Os nichos das faces laterais integram placas de mármore, envolvidas por uma cercadura vegetalista em bronze, onde. estão gravados os nomes dos mondinenses, tombados na guerra. No lado direito estão os combatentes mortos em França e no esquerdo os mortos em África (10.5; 10.6).
Sob esta inscrição, integrada no canto superior direito da base, está uma pequena placa de cimento, com a assinatura do autor.
A inauguração do Padrão e do jardim envolvente, que albergava um fontenário, mandado colocar pelo Comendador Alfredo Álvares de Carvalho , teve lugar a 11 de maio de 1930, num ambiente de grandes festejos em que estiveram presentes membros do governo (o Presidente do Ministério, General Domingos Oliveira e o Ministro do Comércio, Dr. Antunes Guimarães) o bispo de Vila Real, D. João Evangelista Vidal e o antigo capelão militar do Corpo Expedicionário Português, Dr. Luís Lopes Mello , o Governador Civil de Vila Real, José Maria Cabral Sampaio, o Administrador do concelho de Mondim de Basto, Ernesto Carvalho Branco e outras individualidades civis e militares. A Câmara Municipal, presidida por Joaquim de Oliveira, aproveitou a oportunidade para inaugurar outros melhoramentos da vila e homenagear três ilustres mondinenses (Comendador Alfredo Álvares de Carvalho, Adriano Pinto Coelho e José de Carvalho Camões), grandes beneméritos e responsáveis por aquelas obras. Para imortalizar aqueles benfeitores, a Câmara mandara ampliar as suas fotografias e encaixilhá-las em grandes quadros de madeira, identificados com placas de prata, para colocar em destaque no salão nobre dos Paços do Concelho. Desse trabalho foi encarregue a Fotografia Alvão, da cidade do Porto, tendo sido gasta a importância de 2.500$00 .
Classificadas de imponentes pela imprensa regional, as festividades de 11 de maio de 1930, para além de implicarem toda a comunidade local, envolveram muitos filhos da terra, ausentes no Brasil, cujo sentido patriótico levou à angariação de uma elevada quantia de dinheiro, destinada a fazer face aos muitos gastos que as festas acarretavam.
Concluído o projeto de criação do Jardim Público, enobrecido pelo Padrão da I Grande Guerra e impregnado de especial simbolismo, realçado pela memorável cerimónia de inauguração, em que marcaram presença figuras maiores do governo, da igreja e dos órgãos de poder distrital e municipal, o local passaria a assumir-se como centro cívico da vila e polo de atração sócio-económica, também pela proximidade do largo do Escourido, onde funcionará o mercado e o talho municipal. Por tal motivo, a praça passará a ser solicitada para instalação de serviços, nomeadamente de bombas de gasolina , para o abastecimento automóvel.
A preocupação com a manutenção do Jardim Público da Praça 9 de Abril foi uma constante, ao longo do tempo, mantendo-se, na atualidade, a qualidade estética dos canteiros floridos e o asseio do local. As primitivas rubíneas que circundaram a praça foram substituídas, na década de 1950, por outras árvores mais apropriadas e, pela mesma altura, substituíram-se os velhos assentos de pedra, por 8 modernos bancos em ferro forjado e madeira, fabricados na metalúrgica Alba (16.1; 16.2), de Albergaria-a-Velha, pelos quais a câmara pagou a importância de 4.705$00 . Estas mudanças ficaram gravadas na coleção de postais de época (17.1; 17.2), editados pela Casa Palmeira, documentos históricos que nos permitem, mais de meio século passado, confirmar o jardim da Praça 9 de Abril como o mais autêntico cartão de visita da vila de Mondim de Basto.

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[1] Por exemplo Fafe, cujo Jardim Público foi construído em 1892.
[2] Acta da reunião de 26 de junho de 1913, da Câmara Municipal de Mondim de Basto.
[3] Na reunião de 29 de maio de 1912, a Câmara deliberou, por unanimidade, oficiar “a agradecer a generosa oferta feita à Câmara de um tracto de terreno que sua Excelência perdeu na rua de Viacova com o alinhamento dado por esta Câmara para a construção de um palacete que ali mandou edificar”.
[4] Idem de 5 de agosto de 1915.
[5] Idem de 5 de julho e de 2 de agosto, de 1917.
[6] Idem de 15 de novembro de 1917.
[7] Acta da reunião de 16 de agosto de 1923, da Câmara Municipal de Mondim de Basto, fl. 15v.
[8] Acta das reuniões de 3 de março e 21 de abril de 1926, da Câmara Municipal de Mondim de Basto. Na referência ao pagamento da encomenda é dito, textualmente, que as árvores são destinadas ao “Largo Municipal em construção”.
[9] Acta da reunião de 26 de maio de 1926, da Câmara Municipal de Mondim de Basto.
[10] Acta da reunião de 14 de novembro de 1929, da Câmara Municipal de Mondim de Basto, fl. 2.
[11] Idem, fl. 3
[12] Acta da reunião de 14 de novembro de 1929, da Câmara Municipal de Mondim de Basto, fl. 12.
[13] Em 2014 sob a data foi cravada uma placa de metal, com a inscrição: EVOCAÇÃO DO CENTENÁRIO / DA / GRANDE GUERRA / (1914-1918) / HOMENAGEM AO COMBATENTE PORTUGUÊS/ 2014.
[14] Acta da reunião de 24 de abril de 1930, da Câmara Municipal de Mondim de Basto.
[15] [15]A Câmara Municipal auxiliou com 216$00 a sua deslocação de Coimbra a Mondim de Basto, para assistir à inauguração do Monumento aos Mortos da Guerra (Acta da reunião de 1 de maio de 1930, da Câmara Municipal de Mondim de Basto).
[16] Acta da reunião de 15 de maio de 1930, da Câmara Municipal de Mondim de Basto, fl. 73.
[17] Acta da reunião de 10 de dezembro de 1952, da Câmara Municipal de Mondim de Basto.
[18] Acta da reunião de 10 de julho de 1953, da Câmara Municipal de Mondim de Basto.

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