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De entre as praças, largos e jardins existentes em Mondim de Basto, nenhum se equipara em história e simbolismo ao Largo do Jardim 9 de Abril. Localizado no interface do centro histórico da vila com a antiga veiga do Valinho, o largo ocupa uma área de cerca de 2.000m2, configurando uma planta quase triangular, com um ângulo obtuso pouco pronunciado, estando o cateto menor orientado para SSE, a facear com o lado Sul da primitiva rua de Viacova, a hipotenusa voltada para ENE, ladeando a velha EN 18-2 e o cateto maior direcionado para o logradouro do casal de Santa Maria e para a casa da Renda, a poente. O espaço interior, organizado em canteiros relvados, demarcados por lancis de pedra, é definido por dois canteiros circulares, colocados nos pontos extremos, ligados entre si por larga avenida empedrada. No círculo maior, a Sul, ergue-se um monumento aos Mortos da Grande Guerra e no círculo menor, a Norte, levanta-se uma coluna relevada encimada por urna.
Apelidado no passado de Largo do Rego ou Largo Municipal do Rego, Largo de Camões e Jardim Público, foi batizado em 1930, com o nome Praça 9 de Abril, em homenagem aos mártires da pátria (de modo particular os naturais do concelho de Mondim de Basto), sacrificados na batalha de La Lys (painel I, painel II e painel III), na Flandres, em 9 de abril de 1918, ao serviço de Portugal e das forças aliadas, durante a I Grande Guerra.
A ideia de construir uma praça no lugar do Rego deverá remontar aos finais do século XIX, provavelmente por influência dos jardins públicos que iam surgindo em localidades próximas , como resposta à necessidade de criar espaços de convívio e lazer, compagináveis com a estética romântica, destinados a uma nova elite burguesa, recheada de capitalistas “brasileiros de torna-viagem”.
Embora Mondim de Basto possuísse um Largo Municipal (denominado Largo Conde de Vila Real, desde 1900), junto dos Paços do Concelho, cuja centralidade era factor de atração dos mondinenses, este espaço não possuía escala compatível com as novas exigências da sociedade, estando estrangulado pelo edificado (casa do Eirô de Baixo, casa da Câmara e casario fronteiro) e pela EN 18-2, que rasgara a vila, paralela à Rua Velha, até ao lugar do Prazo. Deste modo, a criação de um jardim público no lugar do Rego, podia quase considerar-se um prolongamento do Largo Municipal para poente, apenas seccionado pela dita estrada nacional.
A construção do Largo do Rego demorou cerca de 20 anos a executar, tendo-se processado em 3 fases distintas. A primeira, entre 1910 e 1917, estruturou a primitiva praça, provavelmente circunscrita à parte norte do largo atual. A segunda, dos primeiros anos da década de 1920, alargou a praça para Sul, à custa de alguns terrenos e da demolição das velhas casas que faceavam, de Norte, a rua de Viacova. A terceira e última fase, que ocorreu entre 1926 e 1930, compreendeu a arborização, ajardinamento e implantação do monumento aos heróis da guerra.

Nos inícios da década de 1910, a construção do Largo do Rego já devia estar em marcha, com a Câmara empenhada na angariação dos terrenos necessários ao projeto. Só assim se explica que o executivo, em 14 de junho de 1913, tenha deliberado, por unanimidade, aceitar a oferta feita por José de Carvalho Camões de terrenos sitos no lugar do Rego, exarando na ata da respectiva reunião “agradecer ao mesmo dando-lhe um voto de louvor” e, no mesmo ano e mês, ter deliberado pedir autorização superior para expropriar “um tracto de terreno e casas, sitas no lugar do Rego”, pertencentes a Emília Martins , com o objectivo de “ fazer um largo no mesmo local” . Aliás, já no ano anterior de 1912, aquando da construção do “palacete” do Dr. Joaquim Augusto Alves Ferreira, juiz na comarca de Torres Vedras, no lado sul da rua de Viacova, a Câmara tinha conseguido retificar o traçado da rua, à custa de terreno cedido pelo proprietário , o que indicia preocupação do executivo em relação ao espaço que delimitaria, de Sul, o Jardim Público.
Em 1915, a Câmara pagou a José da Mota, calceteiro de Braga, a importância de 18$71, por demolições e algum trabalho de calcetaria no então denominado “Largo Municipal do Rego” e, em 1917, a Manuel Boavista, pedreiro de Mondim de Basto, 30$63, por terraplanagens e outras obras de alargamento no mesmo largo , trabalhos que deverão estar relacionados com a transladação da capela de Santa Quitéria, deste local para junto da Casa do Eirô de Baixo. No final desse ano, com o largo já pronto a receber algum mobiliário, foi solicitado a José Garcia, pedreiro de Vilar de Viando, que construísse 6 bancos de pedra, gastando o município com aquela encomenda a importância de 45$30 .

Em 1921 teve início a ampliação do largo, com inclusão do espaço ocupado por diversos prédios urbanos. Para tratar da sua aquisição, o executivo encarregou um dos seus membros, registando na ata de 26 de maio desse ano, tal decisão. As negociações com os proprietários dos prédios deverão ter corrido sem quaisquer sobressaltos, estando concluídas no mês de setembro seguinte, tal como se infere pela ata da reunião do executivo de 29 daquele mês, quando foi deliberado pagar: “a Bernardo Alves Machado, casado, proprietário desta vila, 6.000$00, importância por que vendeu a esta Câmara para alargamento do largo do Rego desta vila, uma morada de casas e terreno contíguo, a Francisco Reis, casado, negociante desta vila, 2.500$00, preço por que vendeu a esta Câmara uma morada de casas sitas na rua de Viacova para alargamento do dito largo do Rego, a Alcina Vaz Guimarães, solteira, proprietária desta vila, 4.000$00, importância por que vendeu ou vai vender a esta Câmara uma morada de casas, terrenos contíguos e outras casas em ruínas denominadas de “Magusto” para continuação do largo do Rego desta vila”. É muito interessante constatar que uma parte da verba que a Câmara gastou com esta operação de compra de casas e terrenos para alargamento do Largo, foi suportada pela comparticipação financeira de alguns cidadãos, nomeadamente do Conselheiro Joaquim Augusto Alves Ferreira e de António Gaspar Lopes, comerciante no Recife, o que releva sobre a consensualidade deste projeto, pelos grandes benefícios que trazia à vila.
O posicionamento capital do novo espaço, haveria de ser determinante para a Câmara deslocar a “feira anual que he de costume realizar-se no Olival do Senhor desta vila no dia 5 de Setembro para o local desta vila denominado Largo do Rego”, deliberando dar a maior publicidade ao facto, certamente pela arreigada tradição da população ao antigo local da feira .

Como a praça dispunha de poucas árvores, decerto circunscritas ao espaço intervencionado na primeira fase, a partir de 1926 o projeto focou-se na arborização e ajardinamento do largo, com a colocação do mobiliário urbano indispensável. Assim, na primavera de 1926, a Câmara comprou à firma Afredo Moreira da Silva e Filhos, horticultores da cidade do Porto, um total de 24 rubíneas nº 18, chegadas a Mondim em duas encomendas, tendo sido despendida a verba total de 396$00 , a que acresceu a importância de 115$50, dos gastos de transporte, plantação e adubação, tarefas de que se encarregou José Teixeira Torres, negociante da vila .
Dispostas as rubíneas a circundar a plataforma do jardim municipal, impunha-se, agora, organizar o espaço interno. Terá sido, por esta altura, que surgiu a ideia de erguer, neste local, um monumento aos heróis da I Grande Guerra, homenagem que se tornou mais premente face ao golpe de estado de 28 de maio de 1926 e ao regresso dos militares à cena política. Embora a comemoração do dia 9 de abril, em Mondim de Basto, já fizesse parte, pelo menos desde 1921, das celebrações do município, o apelo da Junta Patriótica do Norte e o incentivo à construção de monumentos concelhios, por parte da Comissão de Padrões da Grande Guerra, dariam grande impulso para a sua edificação.
Perante as dificuldades financeiras com que a Câmara sempre se debatia, tomou o encargo de levantar o monumento aos soldados do concelho tombados na guerra, José de Carvalho Camões, solteiro, “proprietário capitalista desta vila”, um dos grandes beneméritos locais, a quem o município já no passado louvara pela oferta de terrenos cedidos para a construção do Largo do Rego. Por todas estas razões, o executivo tinha decidido atribuir à praça o nome “Largo de Camões”, denominação que chega a aparecer em alguns documentos oficiais, nomeadamente em plantas de expropriação de terrenos contíguos, sitos no Escourido.
Entretanto, a Câmara incumbiu-se de levar avante algumas das infraestruturas, trabalhos que decorreram durante o ano de 1929, como se comprova por diversos pagamentos registados nas atas das suas reuniões. Assim, na sessão do dia 14 de novembro eram autorizados os pagamentos da importância de 330$10 a “Joaquim Garcia, casado, pedreiro desta vila, dos seus salários e mais quatro operários, pelo corte de dez carros de pedra, preparação do assentamento da mesma para soleiramento ao lado do jardim público do Largo de Camões” e de 120$00 a “Cândida Gaspar de Oliveira Basto, solteira, hoteleira desta vila, de hospedagem e alimentação por ela fornecidos ao montador eletricista Sr. Carlos Xavier durante 8 dias, que veio dirigir a ligação da luz eléctrica aos postes de ferro, que se acham colocados no Largo de Camões ao lado do jardim público” . Na sessão do dia 5 de dezembro, seguinte, era paga a importância de 431$30 a “António José Nunes, chaufeur desta vila, de material eléctrico que forneceu para a instalação da luz eléctrica no jardim publico desta vila e trabalho na mesma instalação” .

Por solicitação de José de Carvalho Camões, o Presidente da Câmara convocou uma sessão extraordinária do órgão executivo, com a finalidade de receber “o jardim e monumento aos mortos na Grande Guerra”, tendo sido exarado na respectiva ata que a Praça se passaria a chamar 9 de Abril, por vontade expressa do mecenas.
O monumento aos mortos da I Grande Guerra, erguido na Praça 9 de Abril, em Mondim de Basto, é uma estrutura tipo Padrão, da autoria do arquiteto e militar, Tenente João Marcelino de Queirós. É composta por uma base prismática, encimada por um plinto paralelepipédico que é rematado por uma peça escultórica (10.1; 10.2; 10.3), com as faces frontal e posterior desenhando o escudo de Portugal (com as cinco quinas representadas por pequenos retângulos), de onde irradia a cruz de Cristo e as faces laterais marcadas pelo topo do braço da cruz, atravessado por uma coluna relevada, com decoração vegetalista.
Nos quatro lados do plinto rasgam-se nichos rectangulares, pouco profundos, preenchidos por motivos simbólicos e memórias da guerra. A face central alberga uma escultura em bronze, com assinatura do autor indecifrável, representando o retrato de um soldado da 1ª Grande Guerra. Sob a escultura está gravada a inscrição AOS QVE, (prolongando-se para a base) MORRERAM NA GUERRA / (e em relevo) 1914-1918 . A face posterior do plinto integra no nicho um motivo relevado, representando o mundo, envolvido por uma decoração vegetalista. Sob esta, na base, está gravada uma inscrição, hoje quase ilegível.
Os nichos das faces laterais integram placas de mármore, envolvidas por uma cercadura vegetalista em bronze, onde. estão gravados os nomes dos mondinenses, tombados na guerra. No lado direito estão os combatentes mortos em França e no esquerdo os mortos em África (10.5; 10.6).
Sob esta inscrição, integrada no canto superior direito da base, está uma pequena placa de cimento, com a assinatura do autor.
A inauguração do Padrão e do jardim envolvente, que albergava um fontenário, mandado colocar pelo Comendador Alfredo Álvares de Carvalho , teve lugar a 11 de maio de 1930, num ambiente de grandes festejos em que estiveram presentes membros do governo (o Presidente do Ministério, General Domingos Oliveira e o Ministro do Comércio, Dr. Antunes Guimarães) o bispo de Vila Real, D. João Evangelista Vidal e o antigo capelão militar do Corpo Expedicionário Português, Dr. Luís Lopes Mello , o Governador Civil de Vila Real, José Maria Cabral Sampaio, o Administrador do concelho de Mondim de Basto, Ernesto Carvalho Branco e outras individualidades civis e militares. A Câmara Municipal, presidida por Joaquim de Oliveira, aproveitou a oportunidade para inaugurar outros melhoramentos da vila e homenagear três ilustres mondinenses (Comendador Alfredo Álvares de Carvalho, Adriano Pinto Coelho e José de Carvalho Camões), grandes beneméritos e responsáveis por aquelas obras. Para imortalizar aqueles benfeitores, a Câmara mandara ampliar as suas fotografias e encaixilhá-las em grandes quadros de madeira, identificados com placas de prata, para colocar em destaque no salão nobre dos Paços do Concelho. Desse trabalho foi encarregue a Fotografia Alvão, da cidade do Porto, tendo sido gasta a importância de 2.500$00 .
Classificadas de imponentes pela imprensa regional, as festividades de 11 de maio de 1930, para além de implicarem toda a comunidade local, envolveram muitos filhos da terra, ausentes no Brasil, cujo sentido patriótico levou à angariação de uma elevada quantia de dinheiro, destinada a fazer face aos muitos gastos que as festas acarretavam.
Concluído o projeto de criação do Jardim Público, enobrecido pelo Padrão da I Grande Guerra e impregnado de especial simbolismo, realçado pela memorável cerimónia de inauguração, em que marcaram presença figuras maiores do governo, da igreja e dos órgãos de poder distrital e municipal, o local passaria a assumir-se como centro cívico da vila e polo de atração sócio-económica, também pela proximidade do largo do Escourido, onde funcionará o mercado e o talho municipal. Por tal motivo, a praça passará a ser solicitada para instalação de serviços, nomeadamente de bombas de gasolina , para o abastecimento automóvel.
A preocupação com a manutenção do Jardim Público da Praça 9 de Abril foi uma constante, ao longo do tempo, mantendo-se, na atualidade, a qualidade estética dos canteiros floridos e o asseio do local. As primitivas rubíneas que circundaram a praça foram substituídas, na década de 1950, por outras árvores mais apropriadas e, pela mesma altura, substituíram-se os velhos assentos de pedra, por 8 modernos bancos em ferro forjado e madeira, fabricados na metalúrgica Alba (16.1; 16.2), de Albergaria-a-Velha, pelos quais a câmara pagou a importância de 4.705$00 . Estas mudanças ficaram gravadas na coleção de postais de época (17.1; 17.2), editados pela Casa Palmeira, documentos históricos que nos permitem, mais de meio século passado, confirmar o jardim da Praça 9 de Abril como o mais autêntico cartão de visita da vila de Mondim de Basto.

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[1] Por exemplo Fafe, cujo Jardim Público foi construído em 1892.
[2] Acta da reunião de 26 de junho de 1913, da Câmara Municipal de Mondim de Basto.
[3] Na reunião de 29 de maio de 1912, a Câmara deliberou, por unanimidade, oficiar “a agradecer a generosa oferta feita à Câmara de um tracto de terreno que sua Excelência perdeu na rua de Viacova com o alinhamento dado por esta Câmara para a construção de um palacete que ali mandou edificar”.
[4] Idem de 5 de agosto de 1915.
[5] Idem de 5 de julho e de 2 de agosto, de 1917.
[6] Idem de 15 de novembro de 1917.
[7] Acta da reunião de 16 de agosto de 1923, da Câmara Municipal de Mondim de Basto, fl. 15v.
[8] Acta das reuniões de 3 de março e 21 de abril de 1926, da Câmara Municipal de Mondim de Basto. Na referência ao pagamento da encomenda é dito, textualmente, que as árvores são destinadas ao “Largo Municipal em construção”.
[9] Acta da reunião de 26 de maio de 1926, da Câmara Municipal de Mondim de Basto.
[10] Acta da reunião de 14 de novembro de 1929, da Câmara Municipal de Mondim de Basto, fl. 2.
[11] Idem, fl. 3
[12] Acta da reunião de 14 de novembro de 1929, da Câmara Municipal de Mondim de Basto, fl. 12.
[13] Em 2014 sob a data foi cravada uma placa de metal, com a inscrição: EVOCAÇÃO DO CENTENÁRIO / DA / GRANDE GUERRA / (1914-1918) / HOMENAGEM AO COMBATENTE PORTUGUÊS/ 2014.
[14] Acta da reunião de 24 de abril de 1930, da Câmara Municipal de Mondim de Basto.
[15] [15]A Câmara Municipal auxiliou com 216$00 a sua deslocação de Coimbra a Mondim de Basto, para assistir à inauguração do Monumento aos Mortos da Guerra (Acta da reunião de 1 de maio de 1930, da Câmara Municipal de Mondim de Basto).
[16] Acta da reunião de 15 de maio de 1930, da Câmara Municipal de Mondim de Basto, fl. 73.
[17] Acta da reunião de 10 de dezembro de 1952, da Câmara Municipal de Mondim de Basto.
[18] Acta da reunião de 10 de julho de 1953, da Câmara Municipal de Mondim de Basto.

Ao recordarmos a data de 1898, marco capital na história do concelho de Mondim de Basto, não podemos deixar de ser acometidos pela fascinante curiosidade de imaginar o retrato da vila, na transição do século XIX para o XX. Embora não se disponha de cartografia e registos fotográficos daquela década, recorrendo às mais antigas plantas de Mondim de Basto, olhando as fachadas dos edifícios que se distribuem pela atual malha urbana e analisando as atas camarárias que registam alguns dos factos importantes da vida do Município,  vamos procurar aproximar-nos da fisionomia de Mondim de Basto à época da restauração do concelho e destacar o mais relevante da evolução da vila, até à aprovação do primeiro ante-plano urbanístico, que aconteceu em finais de 1952.
Genericamente, em 1898, o aglomerado urbano de Mondim de Basto confinava-se ao espaço entre o Olival do Senhor e o Atalho, desenvolvendo-se ao longo da estrada que vinha da ponte sobre o Tâmega e conduzia para Atei, Vilar de Ferreiros/Bilhó e Paradança/Ermelo. A maior concentração do edificado implantava-se entre o Souto e o Eirô, extremos ligados pela rua Velha que era o eixo estruturante da vila, da qual irradiavam várias ruas, ditas secundárias, mas funcionalmente imprescindíveis na articulação urbana e na ligação aos campos da envolvência. Em alguns dos entroncamentos destas vias tinham-se desenvolvido terreiros, com um papel importante no quotidiano da população, sendo um dos mais relevantes o do Souto, localizado na encruzilhada da rua Velha com a rua das Lajes, por onde se saía para as propriedades agrícolas da Costeira e de Ribadal.
O largo do Souto estava nobilitado, desde  o último quartel do séc. XVI, pela Capela do Santíssimo Sacramento, templo edificado a pedido dos moradores, desagradados com a distância e o difícil acesso à sua igreja paroquial, particularmente penoso nos meses de Inverno, pois tinham que atravessar a alagada veiga do Valinho. No final do século XIX, a capela ainda dispunha de um alpendre, sustentado por colunas e mobilado com bancos de pedra, acrescentado ao edifício no século XVII,  onde se acolhiam peregrinos e viandantes, para além de ser um espaço de encontro e de sociabilidade dos habitantes locais. Para melhorar a circulação neste espaço, a Câmara Municipal mandou calcetar o largo, em 1901, tendo gasto com a obra a quantia de 40.000 reis.
Na outra ponta da vila, junto ao Eirô, no entroncamento da rua Velha com a rua do Cavalo, por onde se saía para Campos, Vilar de Ferreiros e Bilhó e com a rua de Viacova, direcionada para a Igreja paroquial, Vilar de Viando, Paradança e aldeias próximas ao Marão, tinha-se definido um outro terreiro, denominado a Praça, circunscrito de poente pelo lugar do Rego e, por essa razão, também apelidado de largo do Rego e mais tarde Municipal, pela contiguidade aos símbolos do poder local. Aqui se erguia o pelourinho manuelino, junto da capela setecentista de Santa Quitéria [1] e se construiu, em momento avançado do século XIX, os Paços do Concelho que albergavam os órgãos da administração, antes da anexação a Celorico de Basto e para onde voltaram, após a restauração do município. Este edifício, erguido graças à ação do administrador Jerónimo Bartholino de Araújo, passou a balizar, do lado nascente, o Largo Municipal, rebatizado em 1900 como Largo do Conde de Vila Real [2] , em homenagem ao governador civil do distrito, grande obreiro da restauração do concelho de Mondim. Nesse ano, a Câmara Municipal procedeu a melhoramentos na praça, entre os quais o seu calcetamento, despendendo com a obra 50.000 réis.
A aparência mais elitista desta zona da praça, exemplificada pela magestosa casa do Eirô de Baixo, seria reforçada com a construção de duas imponentes casas de volumetria tendencialmente vertical, uma delas ostentando um interessante lamberquim a guarnecer os bordos do beiral, aproximando-nos por essa via aos referenciais brasileiros dos seus proprietários.
Da rua Velha, entre os dois largos referidos, saía uma rua para o Outeiro e para a Costeira, outra para o Escourido e o Rego e uma outra, mais estreita (quelha da Veiga), para a veiga do  Valinho, com ligação à rua da Viacova e à Igreja paroquial. Embora com alguma importância estrutural, esta ruela era muito desprezada pela população que aqui fazia os seus despejos de lixos e imundícies sendo, por isso, alvo de muitas queixas dos utentes e dos residentes mais próximos. A situação tornou-se tão grave que, em 1936, a Câmara determinou vedar o acesso público por meio de dois portões de ferro, dotados de fechadura, colocados um em cada extremo, sendo entregues as chaves aos proprietários que faziam serventia pela mesma quelha.
Como se depreende, pelo que se referiu, o aglomerado urbano de Mondim de Basto, na transição do século XIX para o XX, alcandorava-se nas encostas sul e poente do Outeiro, dominando todo o vale do ribeiro do Valinho, linha de água que serpenteava a paisagem a caminho  do Tâmega, fundamental na fertilização da veiga, composta por um mosaico de campos rodeados por vinha de enforcado, onde pontuava o milho e a batata. No lado oposto ao Outeiro, onde sobressaiam os relevos de  Casabril e do Monte Ladário, as marcas urbanas eram residuais, mantendo-se praticamente inalterada a ambiência rural secular, misto de leiras e sortes de mato. A quebrar a paisagem do Monte Ladário, na meia encosta, assomava o novel cemitério paroquial, construído em 1877 à volta da capela de Nossa Senhora da Piedade e o escadório de pedra, por onde a via sacra caminhava até ao calvário, erguido junto ao templo. Também no sopé do monte, abrigadas pelo relevo cónico dos ventos dominantes, ombreavam dois edifícios emblemáticos da urbe, a casa da Igreja, com a sua fisionomia solarenga de setecentos e a igreja paroquial que, naquela ano de 1898, mostrava a fachada principal recentemente reconstruída, graças à benemerência de José Vitorino Carvalho de Magalhães, mondinense radicado no Rio de Janeiro.
Este espaço fora da vila sofreria alterações significativas nas décadas de 1910 a 1930, com o arranjo do largo fronteiro à matriz e melhoramento do acesso ao escadório do cemitério e devido à trasladação da capela de Nossa Senhora da Piedade, do interior do cemitério para o alto do monte Ladário, com a construção de uma avenida e arborização da envolvente.
A capela de Nossa Senhora da Piedade, construída no último quartel do século XVIII no local onde estava arruinado um edifício mais antigo, da mesma invocação [3], ficou rodeada pelo cemitério paroquial, aquando da sua construção, um século mais tarde. Em outubro de 1922, o comendador Alfredo Álvares de Carvalho, residente na cidade de Recife, fez um requerimento à Câmara, pedindo licença [4] para conduzir pelas ruas do cemitério municipal o material da capela que pretendia reconstruir no alto do monte do mesmo nome. Conseguida a respetiva autorização camarária, a reconstrução foi realizada em 1923, sendo o templo benzido pelo bispo de Vila Real, D. João Evangelista de Lima Vidal, no dia primeiro de maio de 1924.
Os melhoramentos no Monte Ladário continuaram nos anos seguintes, com a construção de uma avenida de acesso à ermida e, finalmente, a arborização do outeiro que ficaria concluída nos inícios de 1931, como se depreende das deliberações camarárias, de 5 e 26 de fevereiro, as quais determinavam que “500 árvores enviadas pela Florestal de Amarante para a estação da Chapa serão entregues ao benemérito Senhor Comendador Alfredo Álvares de Carvalho para plantar no monte da Senhora da Piedade onde este benemérito tem feito melhoramentos” e “entregar 100 amoreiras, enviadas pela Estação Sericícola Meneses Pimentel, de Mirandela, ao benemérito Senhor Comendador Alfredo Álvares de Carvalho para plantar no monte da Senhora da Piedade”.

Até aos inícios de 1940, salvo as modificações que adiante assinalaremos, pouco mudou na zona nuclear (a que hoje chamamos “centro histórico” de Mondim de Basto), como se comprova pelo mais antigo levantamento aerofotogramétrico, à escala 1:2.000, elaborado pela Comissão de Fiscalização dos Levantamentos Topográficos Urbanos, do Ministério das Obras Públicas e Comunicações. Este levantamento foi o ponto de partida para a concretização do Plano Geral de Urbanização, imposto pelo governo de Salazar, tendo como mentor Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas e Comunicações, através do Decreto-Lei nº 24.802, de 21 de dezembro de 1934. Como previa dificuldades técnicas e financeiras dos municípios, o estado disponibilizou ajuda às Câmaras Municipais na elaboração das plantas topográficas, ajuda que a autarquia mondinense não regateou, conforme se comprova pelas atas das reuniões do executivo.
Na sua reunião ordinária de 24 de dezembro daquele ano, a Câmara Municipal de Mondim de Basto tomou conhecimento do Decreto 24.802, que mandava promover o levantamento da planta topográfica e a elaboração de planos de urbanização, tendo registado na respectiva ata “resolvido deixar para ocasião oportuna este assunto visto não ter data fixada”. Porém, logo no mês seguinte, chegou à Câmara um ofício do Ministério das Obras Públicas pedindo para no prazo de 30 dias lhe fosse indicado: - Se a sede do concelho tinha planta geral elaborada com curvas de nível e qual a escala respectiva; - No caso de a não ter se desejava a Câmara que a planta topográfica desta localidade fosse levantada nos termos dos artºs 6º e 7º do Decreto 24.802; - Se existia no concelho alguma povoação a que a Câmara julgasse aplicável a doutrina do artº 2º (localidades com mais de 2.500 habitantes que, entre dois recenseamentos oficiais consecutivos, acusassem um aumento populacional superior a 10%). Desconhecemos o encaminhamento que a Câmara deu ao solicitado mas sabemos que no orçamento de 1936 foi inscrita verba para pagamento dos encargos com os levantamentos topográficos e, no Verão desse ano, a Direção dos Edifícios Nacionais do Norte nomeava o Eng. Manuel Lima Fernandes de Sá, daquele serviço, para fazer parte da Comissão encarregada de delimitar a área a levantar pela planta topográfica, trabalho preliminar da organização do plano de urbanização da vila. No ano de 1937 não há notícias sobre o assunto, o que leva a admitir alguma inércia da Câmara em linha com a presumível dificuldade dos técnicos envolvidos no levantamento das plantas topográficas, a braços com um enorme volume de trabalho, pois o plano abarcava o território nacional. No entanto, o governo central tinha pressa no assunto, pelo que a Comissão dos Levantamentos Topográficos emitiu uma circular, no final de 1938, chamando a atenção das Câmaras para a deliberação do Ministro das Obras Públicas e Comunicações de não autorizar, de futuro, a comparticipação do Estado em obras de urbanização quando estas não fizessem parte de planos gerais devidamente estudados sobre as novas plantas topográficas conforme as prescrições do Decreto nº 29.802. No início de 1939 chegaram à Câmara Municipal o auto de delimitação da vila, memória descritiva  e o esboço da área a levantar topograficamente, documentos que deveriam ser assinados pelo executivo e devolvidos a Lisboa, para que se iniciassem os trabalhos. Nesse ano, as empresas adjudicatárias terão entrado em ação, como se depreende por uma circular do Governo Civil de Vila Real que pede à Câmara conceda todas as facilidades aos responsáveis pela execução dos serviços. Os trabalhos deverão ter-se arrastado pelos anos seguintes, estando concluídos em 1943, quando são fornecidas à Câmara Municipal 2 cópias da planta topográfica da vila e disponibilizados mais exemplares, ao preço de 20$00 cada.

Retornando às transformações urbanas, ocorridas  durante o primeiro terço do século XX, importa destacar algumas das operações que marcaram a fisionomia da vila. Uma dessas intervenções, que se desenrolaria na sequência da construção da estrada nova, paralela à rua velha, incidiu na zona nascente, englobando o Eirô, o Rego e o Escourido e contemplou a transferência da capela de Santa  Quitéria para o logradouro da casa do Eirô, em 1917 e o alargamento do terreiro para noroeste e sudoeste, graças à oferta e aquisição de alguns terrenos do Rego. Nos finais da década, em 1929, este espaço adquiriria a configuração atual, sendo ajardinado e nobilitado com um Monumento aos Heróis da 1ª Grande Guerra, melhoramentos feitos a expensas do benemérito José de Carvalho Camões, os quais foram entregues simbolicamente ao Município, em 9 de abril de 1930, passando o espaço a denominar-se de Praça 9 de Abril, em homenagem à batalha de La Lys (Bélgica), onde perderam a vida muitos soldados lusos.
Também no Escourido, local onde existia um pequeno terreiro utilizado, desde 1926, para a venda de peixe, se procedeu a uma intervenção importante [5]. No ano de 1929, a Câmara Municipal deliberou expropriar e demolir alguns edifícios, de modo a criar uma praça para mercado municipal e  facilitar a ligação do Jardim Público à rua Velha e, obviamente, ao quartel dos Bombeiros Voluntários. Para o efeito, encarregou José Soares Nogueira, desenhador-topógrafo de Vila Nova de Gaia, de elaborar o respectivo projeto , tendo pago pelo serviço 350$00 [6].
Como havia urgência na intervenção, logo no dia 2 de janeiro de 1930, João António Parente, Ilídio Augusto de Castro, Francisco Gomes Martins, José Teixeira Torres e D. Ana Carneiro foram intimados a comparecer na Câmara para se entenderem acerca do valor dos prédios de que eram proprietários, que a autarquia pretendia expropriar amigavelmente e em fevereiro já decorriam alguns trabalhos, como se constata pelo pagamento de 38$50 que a Câmara  fez a Luís da Costa, jornaleiro da vila, importância despendida com um carro de bois e dois operários empregados na remoção de entulho existente junto do fontenário público. Embora o plano originalmente traçado tenha esbarrado com alguma oposição dos proprietários, a obra realizou-se, com os ajustes necessários, estando concluída nos finais de 1931, passando a integrar a praça um talho municipal, construído pela edilidade no gaveto do largo, com a fachada voltada para a Praça 9 de abril, equipamento provido de todas as condições de asseio e higiene, com o pavimento de mosaico e as paredes revestidas de azulejos, até à altura de 1.80m. Concluída a intervenção, a Câmara apressou-se a definir a organização do espaço de venda, tendo deliberado “que a venda do peixe, aves, hortaliças, frutas, cereais, legumes e tudo enfim que seja exposto ao público seja desde já no local que esta Câmara destinou para Mercado Municipal no novo largo do Escourido, ficando o peixe do lado direito de quem sobe e o restante do lado esquerdo” [7].

Depois de concluída e aprovada a planta topográfica da vila de Mondim de Basto, o que aconteceu em 1943, a Câmara Municipal dispunha de um prazo de três anos para a apresentação ao governo do respectivo plano de urbanização, conforme o disposto no Decreto-Lei nº 24.802, de 21 de dezembro de 1934, já atrás referido. Para lembrar tal obrigação, o Diretor-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais oficiou à Câmara Municipal de Mondim de Basto, aproveitando para esclarecer que o Ministro, a pedido dos interessados, vinha dispensando a abertura de concursos públicos para a elaboração  de tais planos e que o governo poderia comparticipar nas despesas resultantes daquela elaboração até ao limite de 50% desde que lhe fosse solicitado e as dificuldades financeiras da autarquia o justificassem. Inteirada deste assunto, na sua reunião de 15 de junho de 1944, a Câmara encetaria contactos com o Arq. Luís José de Oliveira Martins, morador na Foz do Douro, para a realização do Plano de Urbanização.
No dia 15 de novembro de 1946, a Câmara registou uma carta do arquiteto, comunicando a sua chegada a Mondim para tratar do Plano de Urbanização e, no dia 31 de março do ano seguinte, deliberou na sua reunião “enviar brevemente” o ante-plano de urbanização da vila, devidamente preenchido - supomos que um documento com as ideias gerais da autarquia, relativamente aos equipamentos necessário no futuro. Aliás, a Câmara Municipal receberia, passado 3 meses, um ofício da Direção-Geral dos Serviços de Urbanização, de Lisboa, comunicando que havia sido concedida assistência técnica gratuita para a elaboração do Plano de Urbanização da vila e pedindo para que fossem enviados ao Arq. Oliveira Martins os elementos de inquérito para o ante-plano [8].
Não sabemos como foi resolvido o problema do não cumprimento dos prazos impostos pela lei, pois o assunto só voltaria a ser abordado na reunião da Câmara, de 14 de setembro de 1950, quando foi deliberado “convidar, por meio de editais, os munícipes a apresentar por escrito as suas sugestões sobre o Ante-Plano de Urbanização da vila”, estabelecendo o prazo de 15 dias para tal. Dois anos  passados sobre a abertura à consulta pública, a Câmara, em reunião de 25 de setembro de 1952, deliberou, por unanimidade, aprovar o ante-plano de urbanização [9], encerrando, finalmente, este processo.
O ante-plano de urbanização de Mondim de Basto é um documento executado sobre a carta topográfica, à escala 1:2000, disponibilizada pela Câmara Municipal ao Arq. Luís José de Oliveira Martins. O exemplar conservado na autarquia, assinado pelo punho do autor, define áreas de expansão residencial (no prolongamento do Olival do Senhor, paralela à reta da Pena, na ligação da igreja matriz com rua da Viacova e na Veiga, ao longo de um arruamento central) e propõe a localização de alguns edifícios públicos a construir, nomeadamente um campo de jogos (na Barca), um hospital (no sopé de Casabril) e uma auto-gare (um pouco a sul da escola primária da igreja, sobranceira à estrada para Ermelo),  onde se projetava um entroncamento da variante da EN312, para Atei.
Como nota interessante do ante-plano, salienta-se a proposta de construção dos novos Paços do Concelho, num espaço muito desafogado, de frente para a fachada principal da igreja matriz, sendo os dois edifícios ligados por uma avenida, com separador central, com um comprimento de cerca de 200m. A ladear a avenida implantar-se-iam blocos de habitação, na ala sul e moradias unifamiliares, na parte norte. O edifício dos Paços do Concelho disporia de um jardim frontal, de maneira a valorizar o símbolo maior do poder concelhio.
Embora a generalidade das propostas apresentadas no ante-plano de 1952 nunca tenham saído do papel, o primeiro esboço de urbanização de Mondim de Basto é um documento extremamente importante para a história do concelho e não deixa de ser interessante puxar pela imaginação e idealizar-se o retrato da vila se tivessem sido concretizados os projetos do Arq. Oliveira Martins.

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[1] Esta capela foi trasladada, por volta de 1917, para o local que ocupa atualmente.
[2] Deliberação tomada pela Câmara Municipal em 13 de janeiro de 1900, na passagem do 2º aniversário da restauração do concelho.
[3] Vd. Ana Maria M. de Sousa Pereira, “Mondim de Basto nos finais do século XVIII: Algumas reflexões sobre a capela de Nossa Senhora da Piedade do Monte Ladário”, in Estudos Transmontanos e Durienses, 12, Arquivo Distrital de Vila Real, 2005, pp. 249-272.
[4] Ata da reunião da Câmara Municipal de Mondim de Basto, de 11/10/1922, fl. 107v.
[5] A intervenção levada a cabo era uma aspiração antiga, como se comprova pela deliberação tomada pela Câmara Municipal, na sua reunião de 26 de maio de 1921. Nessa data foi aprovada por unanimidade a proposta de construção de um talho municipal na vila, bem como a abertura de uma rua e alargamento da mesma “entre a Estrada Nova e a rua do Escourido a principiar entre a casa de Elidio Augusto de Castro e herdeiros de D. Maria Carneiro”.
[6] Ata da reunião da Câmara Municipal de 13/11/1930, fl. 123.
[7] Ata da reunião da Câmara Municipal de Mondim de Basto, de 15 de outubro de 1931 (fl. 11)
[8] Lv. de actas da Câmara Municipal de Mondim de Basto, 1946-1949, fl. 77.
[9] Lv. de actas da Câmara Municipal de Mondim de Basto, 1949-1953, fl. 156.

Ao recordarmos a data de 1898, marco capital na história do concelho de Mondim de Basto, não podemos deixar de ser acometidos pela fascinante curiosidade de imaginar o retrato da vila, na transição do século XIX para o XX. Embora não se disponha de cartografia e registos fotográficos daquela década, recorrendo às mais antigas plantas de Mondim de Basto, olhando as fachadas dos edifícios que se distribuem pela atual malha urbana e analisando as atas camarárias que registam alguns dos factos importantes da vida do Município,  vamos procurar aproximar-nos da fisionomia de Mondim de Basto à época da restauração do concelho e destacar o mais relevante da evolução da vila, até à aprovação do primeiro ante-plano urbanístico, que aconteceu em finais de 1952.
Genericamente, em 1898, o aglomerado urbano de Mondim de Basto confinava-se ao espaço entre o Olival do Senhor e o Atalho, desenvolvendo-se ao longo da estrada que vinha da ponte sobre o Tâmega e conduzia para Atei, Vilar de Ferreiros/Bilhó e Paradança/Ermelo. A maior concentração do edificado implantava-se entre o Souto e o Eirô, extremos ligados pela rua Velha que era o eixo estruturante da vila, da qual irradiavam várias ruas, ditas secundárias, mas funcionalmente imprescindíveis na articulação urbana e na ligação aos campos da envolvência. Em alguns dos entroncamentos destas vias tinham-se desenvolvido terreiros, com um papel importante no quotidiano da população, sendo um dos mais relevantes o do Souto, localizado na encruzilhada da rua Velha com a rua das Lajes, por onde se saía para as propriedades agrícolas da Costeira e de Ribadal.
O largo do Souto estava nobilitado, desde  o último quartel do séc. XVI, pela Capela do Santíssimo Sacramento, templo edificado a pedido dos moradores, desagradados com a distância e o difícil acesso à sua igreja paroquial, particularmente penoso nos meses de Inverno, pois tinham que atravessar a alagada veiga do Valinho. No final do século XIX, a capela ainda dispunha de um alpendre, sustentado por colunas e mobilado com bancos de pedra, acrescentado ao edifício no século XVII,  onde se acolhiam peregrinos e viandantes, para além de ser um espaço de encontro e de sociabilidade dos habitantes locais. Para melhorar a circulação neste espaço, a Câmara Municipal mandou calcetar o largo, em 1901, tendo gasto com a obra a quantia de 40.000 reis.
Na outra ponta da vila, junto ao Eirô, no entroncamento da rua Velha com a rua do Cavalo, por onde se saía para Campos, Vilar de Ferreiros e Bilhó e com a rua de Viacova, direcionada para a Igreja paroquial, Vilar de Viando, Paradança e aldeias próximas ao Marão, tinha-se definido um outro terreiro, denominado a Praça, circunscrito de poente pelo lugar do Rego e, por essa razão, também apelidado de largo do Rego e mais tarde Municipal, pela contiguidade aos símbolos do poder local. Aqui se erguia o pelourinho manuelino, junto da capela setecentista de Santa Quitéria [1] e se construiu, em momento avançado do século XIX, os Paços do Concelho que albergavam os órgãos da administração, antes da anexação a Celorico de Basto e para onde voltaram, após a restauração do município. Este edifício, erguido graças à ação do administrador Jerónimo Bartholino de Araújo, passou a balizar, do lado nascente, o Largo Municipal, rebatizado em 1900 como Largo do Conde de Vila Real [2] , em homenagem ao governador civil do distrito, grande obreiro da restauração do concelho de Mondim. Nesse ano, a Câmara Municipal procedeu a melhoramentos na praça, entre os quais o seu calcetamento, despendendo com a obra 50.000 réis.
A aparência mais elitista desta zona da praça, exemplificada pela magestosa casa do Eirô de Baixo, seria reforçada com a construção de duas imponentes casas de volumetria tendencialmente vertical, uma delas ostentando um interessante lamberquim a guarnecer os bordos do beiral, aproximando-nos por essa via aos referenciais brasileiros dos seus proprietários.
Da rua Velha, entre os dois largos referidos, saía uma rua para o Outeiro e para a Costeira, outra para o Escourido e o Rego e uma outra, mais estreita (quelha da Veiga), para a veiga do  Valinho, com ligação à rua da Viacova e à Igreja paroquial. Embora com alguma importância estrutural, esta ruela era muito desprezada pela população que aqui fazia os seus despejos de lixos e imundícies sendo, por isso, alvo de muitas queixas dos utentes e dos residentes mais próximos. A situação tornou-se tão grave que, em 1936, a Câmara determinou vedar o acesso público por meio de dois portões de ferro, dotados de fechadura, colocados um em cada extremo, sendo entregues as chaves aos proprietários que faziam serventia pela mesma quelha.
Como se depreende, pelo que se referiu, o aglomerado urbano de Mondim de Basto, na transição do século XIX para o XX, alcandorava-se nas encostas sul e poente do Outeiro, dominando todo o vale do ribeiro do Valinho, linha de água que serpenteava a paisagem a caminho  do Tâmega, fundamental na fertilização da veiga, composta por um mosaico de campos rodeados por vinha de enforcado, onde pontuava o milho e a batata. No lado oposto ao Outeiro, onde sobressaiam os relevos de  Casabril e do Monte Ladário, as marcas urbanas eram residuais, mantendo-se praticamente inalterada a ambiência rural secular, misto de leiras e sortes de mato. A quebrar a paisagem do Monte Ladário, na meia encosta, assomava o novel cemitério paroquial, construído em 1877 à volta da capela de Nossa Senhora da Piedade e o escadório de pedra, por onde a via sacra caminhava até ao calvário, erguido junto ao templo. Também no sopé do monte, abrigadas pelo relevo cónico dos ventos dominantes, ombreavam dois edifícios emblemáticos da urbe, a casa da Igreja, com a sua fisionomia solarenga de setecentos e a igreja paroquial que, naquela ano de 1898, mostrava a fachada principal recentemente reconstruída, graças à benemerência de José Vitorino Carvalho de Magalhães, mondinense radicado no Rio de Janeiro.
Este espaço fora da vila sofreria alterações significativas nas décadas de 1910 a 1930, com o arranjo do largo fronteiro à matriz e melhoramento do acesso ao escadório do cemitério e devido à trasladação da capela de Nossa Senhora da Piedade, do interior do cemitério para o alto do monte Ladário, com a construção de uma avenida e arborização da envolvente.
A capela de Nossa Senhora da Piedade, construída no último quartel do século XVIII no local onde estava arruinado um edifício mais antigo, da mesma invocação [3], ficou rodeada pelo cemitério paroquial, aquando da sua construção, um século mais tarde. Em outubro de 1922, o comendador Alfredo Álvares de Carvalho, residente na cidade de Recife, fez um requerimento à Câmara, pedindo licença [4] para conduzir pelas ruas do cemitério municipal o material da capela que pretendia reconstruir no alto do monte do mesmo nome. Conseguida a respetiva autorização camarária, a reconstrução foi realizada em 1923, sendo o templo benzido pelo bispo de Vila Real, D. João Evangelista de Lima Vidal, no dia primeiro de maio de 1924.
Os melhoramentos no Monte Ladário continuaram nos anos seguintes, com a construção de uma avenida de acesso à ermida e, finalmente, a arborização do outeiro que ficaria concluída nos inícios de 1931, como se depreende das deliberações camarárias, de 5 e 26 de fevereiro, as quais determinavam que “500 árvores enviadas pela Florestal de Amarante para a estação da Chapa serão entregues ao benemérito Senhor Comendador Alfredo Álvares de Carvalho para plantar no monte da Senhora da Piedade onde este benemérito tem feito melhoramentos” e “entregar 100 amoreiras, enviadas pela Estação Sericícola Meneses Pimentel, de Mirandela, ao benemérito Senhor Comendador Alfredo Álvares de Carvalho para plantar no monte da Senhora da Piedade”.

Até aos inícios de 1940, salvo as modificações que adiante assinalaremos, pouco mudou na zona nuclear (a que hoje chamamos “centro histórico” de Mondim de Basto), como se comprova pelo mais antigo levantamento aerofotogramétrico, à escala 1:2.000, elaborado pela Comissão de Fiscalização dos Levantamentos Topográficos Urbanos, do Ministério das Obras Públicas e Comunicações. Este levantamento foi o ponto de partida para a concretização do Plano Geral de Urbanização, imposto pelo governo de Salazar, tendo como mentor Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas e Comunicações, através do Decreto-Lei nº 24.802, de 21 de dezembro de 1934. Como previa dificuldades técnicas e financeiras dos municípios, o estado disponibilizou ajuda às Câmaras Municipais na elaboração das plantas topográficas, ajuda que a autarquia mondinense não regateou, conforme se comprova pelas atas das reuniões do executivo.
Na sua reunião ordinária de 24 de dezembro daquele ano, a Câmara Municipal de Mondim de Basto tomou conhecimento do Decreto 24.802, que mandava promover o levantamento da planta topográfica e a elaboração de planos de urbanização, tendo registado na respectiva ata “resolvido deixar para ocasião oportuna este assunto visto não ter data fixada”. Porém, logo no mês seguinte, chegou à Câmara um ofício do Ministério das Obras Públicas pedindo para no prazo de 30 dias lhe fosse indicado: - Se a sede do concelho tinha planta geral elaborada com curvas de nível e qual a escala respectiva; - No caso de a não ter se desejava a Câmara que a planta topográfica desta localidade fosse levantada nos termos dos artºs 6º e 7º do Decreto 24.802; - Se existia no concelho alguma povoação a que a Câmara julgasse aplicável a doutrina do artº 2º (localidades com mais de 2.500 habitantes que, entre dois recenseamentos oficiais consecutivos, acusassem um aumento populacional superior a 10%). Desconhecemos o encaminhamento que a Câmara deu ao solicitado mas sabemos que no orçamento de 1936 foi inscrita verba para pagamento dos encargos com os levantamentos topográficos e, no Verão desse ano, a Direção dos Edifícios Nacionais do Norte nomeava o Eng. Manuel Lima Fernandes de Sá, daquele serviço, para fazer parte da Comissão encarregada de delimitar a área a levantar pela planta topográfica, trabalho preliminar da organização do plano de urbanização da vila. No ano de 1937 não há notícias sobre o assunto, o que leva a admitir alguma inércia da Câmara em linha com a presumível dificuldade dos técnicos envolvidos no levantamento das plantas topográficas, a braços com um enorme volume de trabalho, pois o plano abarcava o território nacional. No entanto, o governo central tinha pressa no assunto, pelo que a Comissão dos Levantamentos Topográficos emitiu uma circular, no final de 1938, chamando a atenção das Câmaras para a deliberação do Ministro das Obras Públicas e Comunicações de não autorizar, de futuro, a comparticipação do Estado em obras de urbanização quando estas não fizessem parte de planos gerais devidamente estudados sobre as novas plantas topográficas conforme as prescrições do Decreto nº 29.802. No início de 1939 chegaram à Câmara Municipal o auto de delimitação da vila, memória descritiva  e o esboço da área a levantar topograficamente, documentos que deveriam ser assinados pelo executivo e devolvidos a Lisboa, para que se iniciassem os trabalhos. Nesse ano, as empresas adjudicatárias terão entrado em ação, como se depreende por uma circular do Governo Civil de Vila Real que pede à Câmara conceda todas as facilidades aos responsáveis pela execução dos serviços. Os trabalhos deverão ter-se arrastado pelos anos seguintes, estando concluídos em 1943, quando são fornecidas à Câmara Municipal 2 cópias da planta topográfica da vila e disponibilizados mais exemplares, ao preço de 20$00 cada.

Retornando às transformações urbanas, ocorridas  durante o primeiro terço do século XX, importa destacar algumas das operações que marcaram a fisionomia da vila. Uma dessas intervenções, que se desenrolaria na sequência da construção da estrada nova, paralela à rua velha, incidiu na zona nascente, englobando o Eirô, o Rego e o Escourido e contemplou a transferência da capela de Santa  Quitéria para o logradouro da casa do Eirô, em 1917 e o alargamento do terreiro para noroeste e sudoeste, graças à oferta e aquisição de alguns terrenos do Rego. Nos finais da década, em 1929, este espaço adquiriria a configuração atual, sendo ajardinado e nobilitado com um Monumento aos Heróis da 1ª Grande Guerra, melhoramentos feitos a expensas do benemérito José de Carvalho Camões, os quais foram entregues simbolicamente ao Município, em 9 de abril de 1930, passando o espaço a denominar-se de Praça 9 de Abril, em homenagem à batalha de La Lys (Bélgica), onde perderam a vida muitos soldados lusos.
Também no Escourido, local onde existia um pequeno terreiro utilizado, desde 1926, para a venda de peixe, se procedeu a uma intervenção importante [5]. No ano de 1929, a Câmara Municipal deliberou expropriar e demolir alguns edifícios, de modo a criar uma praça para mercado municipal e  facilitar a ligação do Jardim Público à rua Velha e, obviamente, ao quartel dos Bombeiros Voluntários. Para o efeito, encarregou José Soares Nogueira, desenhador-topógrafo de Vila Nova de Gaia, de elaborar o respectivo projeto , tendo pago pelo serviço 350$00 [6].
Como havia urgência na intervenção, logo no dia 2 de janeiro de 1930, João António Parente, Ilídio Augusto de Castro, Francisco Gomes Martins, José Teixeira Torres e D. Ana Carneiro foram intimados a comparecer na Câmara para se entenderem acerca do valor dos prédios de que eram proprietários, que a autarquia pretendia expropriar amigavelmente e em fevereiro já decorriam alguns trabalhos, como se constata pelo pagamento de 38$50 que a Câmara  fez a Luís da Costa, jornaleiro da vila, importância despendida com um carro de bois e dois operários empregados na remoção de entulho existente junto do fontenário público. Embora o plano originalmente traçado tenha esbarrado com alguma oposição dos proprietários, a obra realizou-se, com os ajustes necessários, estando concluída nos finais de 1931, passando a integrar a praça um talho municipal, construído pela edilidade no gaveto do largo, com a fachada voltada para a Praça 9 de abril, equipamento provido de todas as condições de asseio e higiene, com o pavimento de mosaico e as paredes revestidas de azulejos, até à altura de 1.80m. Concluída a intervenção, a Câmara apressou-se a definir a organização do espaço de venda, tendo deliberado “que a venda do peixe, aves, hortaliças, frutas, cereais, legumes e tudo enfim que seja exposto ao público seja desde já no local que esta Câmara destinou para Mercado Municipal no novo largo do Escourido, ficando o peixe do lado direito de quem sobe e o restante do lado esquerdo” [7].

Depois de concluída e aprovada a planta topográfica da vila de Mondim de Basto, o que aconteceu em 1943, a Câmara Municipal dispunha de um prazo de três anos para a apresentação ao governo do respectivo plano de urbanização, conforme o disposto no Decreto-Lei nº 24.802, de 21 de dezembro de 1934, já atrás referido. Para lembrar tal obrigação, o Diretor-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais oficiou à Câmara Municipal de Mondim de Basto, aproveitando para esclarecer que o Ministro, a pedido dos interessados, vinha dispensando a abertura de concursos públicos para a elaboração  de tais planos e que o governo poderia comparticipar nas despesas resultantes daquela elaboração até ao limite de 50% desde que lhe fosse solicitado e as dificuldades financeiras da autarquia o justificassem. Inteirada deste assunto, na sua reunião de 15 de junho de 1944, a Câmara encetaria contactos com o Arq. Luís José de Oliveira Martins, morador na Foz do Douro, para a realização do Plano de Urbanização.
No dia 15 de novembro de 1946, a Câmara registou uma carta do arquiteto, comunicando a sua chegada a Mondim para tratar do Plano de Urbanização e, no dia 31 de março do ano seguinte, deliberou na sua reunião “enviar brevemente” o ante-plano de urbanização da vila, devidamente preenchido - supomos que um documento com as ideias gerais da autarquia, relativamente aos equipamentos necessário no futuro. Aliás, a Câmara Municipal receberia, passado 3 meses, um ofício da Direção-Geral dos Serviços de Urbanização, de Lisboa, comunicando que havia sido concedida assistência técnica gratuita para a elaboração do Plano de Urbanização da vila e pedindo para que fossem enviados ao Arq. Oliveira Martins os elementos de inquérito para o ante-plano [8].
Não sabemos como foi resolvido o problema do não cumprimento dos prazos impostos pela lei, pois o assunto só voltaria a ser abordado na reunião da Câmara, de 14 de setembro de 1950, quando foi deliberado “convidar, por meio de editais, os munícipes a apresentar por escrito as suas sugestões sobre o Ante-Plano de Urbanização da vila”, estabelecendo o prazo de 15 dias para tal. Dois anos  passados sobre a abertura à consulta pública, a Câmara, em reunião de 25 de setembro de 1952, deliberou, por unanimidade, aprovar o ante-plano de urbanização [9], encerrando, finalmente, este processo.
O ante-plano de urbanização de Mondim de Basto é um documento executado sobre a carta topográfica, à escala 1:2000, disponibilizada pela Câmara Municipal ao Arq. Luís José de Oliveira Martins. O exemplar conservado na autarquia, assinado pelo punho do autor, define áreas de expansão residencial (no prolongamento do Olival do Senhor, paralela à reta da Pena, na ligação da igreja matriz com rua da Viacova e na Veiga, ao longo de um arruamento central) e propõe a localização de alguns edifícios públicos a construir, nomeadamente um campo de jogos (na Barca), um hospital (no sopé de Casabril) e uma auto-gare (um pouco a sul da escola primária da igreja, sobranceira à estrada para Ermelo),  onde se projetava um entroncamento da variante da EN312, para Atei.
Como nota interessante do ante-plano, salienta-se a proposta de construção dos novos Paços do Concelho, num espaço muito desafogado, de frente para a fachada principal da igreja matriz, sendo os dois edifícios ligados por uma avenida, com separador central, com um comprimento de cerca de 200m. A ladear a avenida implantar-se-iam blocos de habitação, na ala sul e moradias unifamiliares, na parte norte. O edifício dos Paços do Concelho disporia de um jardim frontal, de maneira a valorizar o símbolo maior do poder concelhio.
Embora a generalidade das propostas apresentadas no ante-plano de 1952 nunca tenham saído do papel, o primeiro esboço de urbanização de Mondim de Basto é um documento extremamente importante para a história do concelho e não deixa de ser interessante puxar pela imaginação e idealizar-se o retrato da vila se tivessem sido concretizados os projetos do Arq. Oliveira Martins.

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[1] Esta capela foi trasladada, por volta de 1917, para o local que ocupa atualmente.
[2] Deliberação tomada pela Câmara Municipal em 13 de janeiro de 1900, na passagem do 2º aniversário da restauração do concelho.
[3] Vd. Ana Maria M. de Sousa Pereira, “Mondim de Basto nos finais do século XVIII: Algumas reflexões sobre a capela de Nossa Senhora da Piedade do Monte Ladário”, in Estudos Transmontanos e Durienses, 12, Arquivo Distrital de Vila Real, 2005, pp. 249-272.
[4] Ata da reunião da Câmara Municipal de Mondim de Basto, de 11/10/1922, fl. 107v.
[5] A intervenção levada a cabo era uma aspiração antiga, como se comprova pela deliberação tomada pela Câmara Municipal, na sua reunião de 26 de maio de 1921. Nessa data foi aprovada por unanimidade a proposta de construção de um talho municipal na vila, bem como a abertura de uma rua e alargamento da mesma “entre a Estrada Nova e a rua do Escourido a principiar entre a casa de Elidio Augusto de Castro e herdeiros de D. Maria Carneiro”.
[6] Ata da reunião da Câmara Municipal de 13/11/1930, fl. 123.
[7] Ata da reunião da Câmara Municipal de Mondim de Basto, de 15 de outubro de 1931 (fl. 11)
[8] Lv. de actas da Câmara Municipal de Mondim de Basto, 1946-1949, fl. 77.
[9] Lv. de actas da Câmara Municipal de Mondim de Basto, 1949-1953, fl. 156.

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Comemora-se em 13 de Janeiro de 2018 os 120 anos da restauração do concelho de Mondim de Basto.
No final do século XIX, o território de Mondim de Basto esteve integrado de forma administrativa, no vizinho concelho de Celorico de Basto.
Pela importância histórica de que se reveste, pareceu-nos oportuno comemorar e exaltar esta data de 13 de Janeiro, que devolveu a dignidade e o sentido de pertença deste concelho, com mais de 500 anos de autonomia. Assinalar a história é a melhor forma de garantir o futuro.
Um concelho é muito mais que uma divisão administrativa. É sobretudo uma comunidade que se revê na sua história.
Não sabemos o que seríamos hoje se há 120 anos o concelho não tivesse sido restaurado, mas sabemos do quanto nos agrada pertencer a uma comunidade que não se afirmou contra ninguém, mas que foi capaz de construir e desenhar a sua própria história.
Em 13 de Janeiro de 2018 está marcado o reencontro com a nossa história.

Humberto Cerqueira
Presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto

[NOTA DE IMPRENSA]

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Do conjunto de matérias que, em 1898, o restaurado concelho de Mondim de Basto tinha que enfrentar, a educação era, com toda a certeza, uma das mais prementes, considerando as obrigações que as Câmaras Municipais tinham no domínio do ensino primário do 1º grau de ambos os sexos e a importância que o regime liberal conferia à instrução pública e ao combate ao analfabetismo. Dentro desta política impunha-se pois, como necessário, tanto o alargamento da rede de escolas primárias, como a construção de edifícios escolares apropriados, para responder ao número elevado de crianças em idade escolar.

Na edição do dia 28 de janeiro de 1897, o jornal “O Villarealense”, publicado na capital do distrito, sob o título “A instrução no distrito de Villa Real”, contabilizava em Mondim de Basto 5.800 pessoas sem instrução, para um universo de 7.360 habitantes, o que colocava a taxa de analfabetismo perto dos 79%. Estes números, que estavam em linha com os da maioria dos concelhos do distrito, refletiam a realidade do país que os governos, desde a revolução de 1820, procuravam contrariar.

Seguindo a obra de Licínio Borges, “Educação, sociedade e desenvolvimento em Mondim de Basto desde o Marquês de Pombal à transição para a contemporaneidade” (Universidade do Minho, 1999), em 1898, com exceção de Campanhó e Pardelhas, já haviam sido criadas escolas primárias oficiais em todas as sedes de freguesia do concelho. Estes dados revelam que no último quartel do século XIX, num período de 20 anos, tinha havido um esforço considerável no alargamento da rede escolar pois, de acordo com o “Atlas-Repertório dos Municípios na Educação”, de Justino Magalhães (Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, 2014), no ano de 1878, Mondim de Basto, que ainda englobava a freguesia de Lamas de Olo, era o concelho com menor número de escolas oficiais em funcionamento na província de Trás-os-Montes, só equiparável ao vizinho concelho de Celorico de Basto. Deste modo, o primeiro executivo pós-restauração do município, tinha como grande objectivo além de dotar as duas últimas sedes de freguesia com o ensino primário, alargá-lo aos núcleos mais populosos, nomeadamente a Vilarinho, Vilar de Viando e Fervença.

No caso de Vilarinho, o processo já estava em andamento desde o ano precedente de 1897, quando Mondim de Basto ainda estava sujeito à jurisdição de Celorico de Basto, mobilizando-se a população daquele lugar para a obtenção do ensino primário, para o que disponibilizava, gratuitamente, por tempo determinado, sala para as aulas e residência para o respectivo professor.

Quanto a Vilar de Viando e Fervença, a pretensão de criação do ensino primário foi formalmente assumida em 21 de maio de 1902, como se regista na ata da reunião ordinária da Câmara Municipal de Mondim de Basto onde foi deliberado “representar ao governo de Sua Magestade a creação de uma escola do sexo masculino” naqueles lugares, bem como nas freguesias de Campanhó e Pardelhas.

Além da criação das novas escolas, a deliberação estendia-se, também, à construção de um edifício escolar, para ambos os sexos, para a freguesia de Ermelo, solicitação que secundava idêntico pedido para as freguesias de Mondim de Basto e Atei, aprovado no dia 22 de janeiro do mesmo ano. Em reunião do executivo, na presença do Administrador substituto, José Ricardo de Queirós Saavedra, o colectivo municipal, por unanimidade, aprovava a proposta do seu Presidente, no sentido de se apelar ao governo para “serem construídos, n’esta freguesia (Mondim de Basto) e na de Athey edifícios para as aulas de ensino primário elementar, visto não só nas ditas freguesias não as haver, mas também por serem insuficientes para comportarem os alunos, as casas onde se acham instaladas as referidas escolas, as quaes, além de serem propriedade particular foram já reprovadas pelo sub-delegado de saúde pois que não satisfaziam ás mais rudimentares condições egyenicas, comprometendo-se este município e a Junta da Parochia de Athey á cedência gratuita do terreno para as referidas edificações”.

Embora os primeiros professores régios, em exercício no concelho (lugares de Mondim de Basto e Atei), tenham sido nomeados durante o reinado de D. Maria I, no último quartel do séc. XVIII, os mais antigos edifícios escolares só serão construídos na primeira década do século XX. Até essa data, as aulas foram sendo lecionadas em casas alugadas para o efeito ou, em muitos casos, na residência dos respectivos professores.

Em Ermelo, em janeiro de 1897, a “caza da aula” funcionava num edifício propriedade de Bernardo Cardozo da Costa, morador naquele lugar, estando em falta o pagamento da renda do último trimestre de 1895 e do primeiro semestre de 1896.

Na vila de Mondim, em janeiro de 1900, arrendou-se a casa de Bernardino Alves de Magalhães, sita na rua de Viacova, para nela funcionar a escola do sexo masculino elementar da freguesia, resolvendo a Câmara “que, na dita casa, se mandassem proceder aos convenientes reparos”. Este arrendamento, decidido em reunião camarária de 13 do mesmo mês, tinha sido motivado pela necessidade de retirar a escola de um anterior edifício, onde a Câmara pretendia instalar a cadeia comarcã.

Também em Atei, no mesmo ano, decorriam obras de beneficiação da casa onde funcionava a escola elementar do sexo masculino da freguesia. Na reparação do telhado, soalho e janelas do edifício, a Câmara despendeu 37.000 reis, gasto que o executivo deliberou “se remetesse ao senhor Administrador do concelho para os devidos efeitos”.

No mesmo ano em que o concelho de Mondim de Basto foi restaurado (1898), foi lançado pelo governo, sob a égide da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses, um concurso para a elaboração de projetos de edifícios destinados a escolas de instrução primária. O vencedor do concurso foi o arquiteto Arnaldo Redondo Adães Bermudes (1864-1948), nomeado, a partir de 1901, Director do serviço de construções escolares da Direcção-Geral do Ministério do Reino.

A “escola-tipo Adães Bermudes” , vencedora do concurso de 1898, viria a ser implantada em muitas localidades do país, entre 1902 e 1912, contemplando em Mondim de Basto os dois mais antigos edifícios escolares construídos de raiz, o da sede do concelho (Escola do Barrio) e o de Atei. Tratava-se de edifícios geminados, com duas salas (uma masculina e outra feminina), duas habitações para professores, pátio com recreio coberto e instalações sanitárias. Dispondo de salas de aula amplas, com espaço para 50 alunos, foram providas de grandes janelas rectangulares voltadas à luz solar, para beneficiar de melhor iluminação. À época, situavam-se em locais periféricos, amplos e arejados, longe do bulício dos centros urbanos, mas providas de bons acessos.

Como atrás se referiu, a construção das escolas primárias de Mondim de Basto e de Atei foi solicitada pela Câmara Municipal, em 1902, tendo o executivo, já no orçamento desse ano, inscrito verbas para a comparticipação que era exigida pelo governo. No ano seguinte, também a Junta de Paróquia de Atei punha em hasta pública a venda de alguns terrenos baldios, para auxiliar na construção da sua escola. Em 1904 as obras estão em marcha e, a 18 de maio, na reunião do executivo, a Câmara inteirava-se da chegada de um ofício do “architeto director da Direcção das Construções Escolares em Lisboa, senhor engenheiro Adães Bermudes”, remetendo guias para ser feita a entrega na Caixa Geral de Depósitos “a Crédito do Fundo de Instrução Primária da quantia de 400 mil reis com que esta Câmara deliberou concorrer para a construção da escola primaria deste concelho”. Não sabemos porque razão a Câmara Municipal não procedeu de imediato ao depósito do dinheiro pedido pelas construções escolares pois, no final desse ano, é recebido novo ofício a pedir esclarecimentos. De qualquer forma, as obras terão continuado em bom ritmo e, em 1906, cerca de dois anos após o início dos trabalhos, os edifícios escolares ficaram concluídos, passando a dispor o concelho de Mondim de Basto de dois edifícios modernos, com boas condições para as aulas e para residência dos professores.

Depois da conclusão das duas escolas “tipo Adães Bermudes”, em 1906, passarão mais de quatro décadas até à construção de outros edifícios escolares no concelho de Mondim de Basto. O processo conturbado de instauração e vigência da primeira República, agravado pela participação de Portugal na 1ª Grande Guerra e, por fim, a instauração da ditadura militar, em 1926, e posteriormente do Estado Novo, terão secundarizado a questão da edificação de escolas. Por essa razão, a criação de novas escolas, um pouco por todo o concelho, obrigará a Câmara Municipal a proceder ao arrendamento de instalações para as aulas, já que por iniciativa do Estado poucos foram os edifícios construídos até 1940.

Nesse ano, com o intuito de celebrar os 800 anos de nacionalidade e os 300 anos da Restauração da Independência, o governo de Salazar lançou o “Plano dos Centenários”, uma grande iniciativa para a concretização da rede escolar.

No âmbito deste plano, a Câmara Municipal de Mondim de Basto, em reunião de 29 de dezembro de 1947, deliberou informar o Governo Civil de Vila Real que pretendia “ver construídas no ano de 1948 escolas nas seguintes localidades: uma em Vilar de Viando, outra no lugar de Parada – Atei, outra em Paradança, outra em Ermelo, outra em Vilarinho – Vilar de Ferreiros e outra nesta vila”. Deste conjunto de escolas, a primeira a ser construída foi a da vila (Escola da Igreja), implantada em contexto peri-urbano, sobranceira à estrada para Ermelo. Logo em 1948, no último dia do ano, a Câmara deliberou proceder à expropriação, por utilidade pública, dos terrenos confinantes à residência paroquial. Este processo de transferência da propriedade dos terrenos para a alçada pública arrastou-se por alguns anos, mas a obra foi concluída e inaugurada, no dia 28 de maio de 1951, comemorando-se, deste modo, o golpe militar de 1926.

A escola da Igreja, em Mondim de Basto, seguiu o modelo-tipo projetado pelo Arq. Manuel Fernandes de Sá, implementado na primeira fase do “Plano dos Centenários”, entre os finais de 1940 e a década de 1950. Trata-se de uma construção sólida, com embasamento em cantaria de granito, com as paredes exteriores caiadas de branco, dotada de um átrio para acesso às salas de aula e ao pátio de recreio, coberto, onde se situavam os sanitários. Este modelo-tipo tem como característica relevante o facto de ser visível o granito da solução decorativa do portal de acesso, com arco de moldura côncava, assente em plintos com volutas relevadas e encimado por um vão de configuração curva, que ilumina o átrio do piso superior. As salas, dimensionadas para 40 crianças, são rectangulares, com 8 x 6 metros, iluminadas por três janelas rectilíneas, emolduradas a alvenaria de granito amarelo.

A escola primária de Ermelo, com 4 salas, também se integra na tipologia Fernandes de Sá, porém, construída um pouco mais tarde, apresenta os portais mais simplificados, desprovidos de plintos com volutas relevadas na base do arco.

Tal como a generalidade dos exemplares, esta escola foi implantada num local isolado, mas, neste caso, bastante mais afastada da povoação.

Um terceiro conjunto de edifícios escolares do primeiro ciclo, construídos em Mondim de Basto, segue o modelo-tipo projetado pelo Arq. Fernando Peres Guimarães, que exerceu o cargo de Diretor dos Serviços de Monumentos da DGEMN. Em 1956, no âmbito do “Novo Plano dos Centenários”, elaborou o estudo para a criação de dois tipos de escolas (um rural, com uma ou duas salas e outro urbano, com duas ou quatro salas), mais simples que o modelo anterior, com a finalidade de se diminuírem os custos dada a necessidade de se construírem em série, face ao crescimento da população escolar. Estas escolas que viriam a ser implementadas nas décadas de 1960 e 1970, são o modelo mais comum que encontramos nos meios rurais do concelho. As escolas primárias de Vilar de Viando, construída na década de 1960 e de Carvalhais, dos finais da década de 1970, entre muitas outras, integram-se nesta tipologia. Trata-se de pequenos edifícios, com um vestíbulo na extremidade da sala, recuado em relação à fachada principal e fechado por um grelhado de cimento, com recreio em terra batida e circunscritos por um muro com gradeamento de ferro.

O processo de descolonização que se seguiu à Revolução do 25 de Abril trouxe a Mondim de Basto um acréscimo de população em idade escolar. No lugar da Serra, na freguesia de Mondim, foram instaladas muitas das famílias retornadas, pelo que se tornou urgente a criação de uma escola nessa localidade. À falta de instalações, impunha-se a construção de um edifício, tarefa a que os moradores deitaram mão com o apoio da Câmara Municipal, que contribuiu com o fornecimento dos materiais. Esta iniciativa refletia a nova dinâmica social, nascida nos ideais de liberdade que a Revolução trouxera e que se materializaria nas muitas comissões de moradores constituídas, ansiosas por resolver os problemas que se colocavam às comunidades.

As obras da escola da Serra começaram nos finais de 1975 (na reunião de 23 de dezembro a Câmara deu ordem de pagamento de 70 sacos de cimento, no valor de 5.500$00, fornecidos para a obra do “edifício onde proximamente vai funcionar a escola primária do núcleo da Serra”, tendo-se prolongado até novembro do ano seguinte. No dia 23 desse mês, a Câmara Municipal deliberou Informar a Direção escolar de Vila Real de que se encontrava concluído o edifício escolar da Serra, “construído por iniciativa popular com o apoio da Câmara”, pedindo a criação de lugar ou lugares para nomeação dos respectivos professores, para que as aulas se iniciassem.

Se a iniciativa dos moradores da Serra teve sucesso, o mesmo não aconteceu com as reivindicações dos habitantes de Anta e Assureira, expressas em exposição remetida à Câmara Municipal, em novembro de 1975, tendo sido dos poucos lugares do concelho nunca contemplados com escola e, por isso, obrigando os alunos a percorrer distância considerável até Bobal ou Pioledo, onde funcionavam as aulas.

Relativamente à origem do edifício escolar onde funciona a EB 2,3/S de Mondim de Basto, convém, antes de tudo, abordar a génese do ensino preparatório e secundário no concelho.

Em 1967, pelo Decreto-lei 47.480, de 2 de janeiro, foi instituído o ciclo preparatório do ensino secundário, que começará a funcionar no ano escolar de 1968-1969. Em Mondim, este ciclo de estudos nasceu como secção da Escola Preparatória Dr. Ernesto de Castro Leal, de Celorico de Basto, secção transformada, pela Portaria n.º 562/72, de 28 de setembro, em Escola Preparatória e do Ensino Secundário, então batizada com o nome de Escola Preparatória de José Júlio Pinto Coelho. Tal como estava consignado na lei, na escolha do patrono da escola deverá ter sido tomada em consideração a sugestão feita pelas autoridades locais, que seriam consultadas para o efeito.

Com o ano lectivo prestes a iniciar, foi decidido adaptar algumas dependências da Casa do Eirô, propriedade da Câmara Municipal, para funcionamento provisório da Escola. No entender do executivo camarário, conforme ficou exarado na ata da sua reunião ordinária de 31 do mês de agosto, o Ciclo Preparatório carecia de edifício próprio “não só para corresponder às exigências de uma frequência cada vez mais numerosa mas também e sobretudo porque as instalações atuais são os futuros Paços do Concelho cujas obras de adaptação devem começar brevemente de acordo com o programa já aprovado e comparticipado pelo governo”. Por esse razão, dada a urgência do assunto, a Câmara Municipal deliberou entregar ao Arq. Lúcio de Miranda o estudo do projeto de instalação do Ciclo Preparatório do Ensino Secundário de Mondim de Basto. Todavia, a elaboração do projeto foi-se arrastando mais tempo do que era pretendido, tendo passado para a alçada do Arq. Guilherme António de Sousa Guimarães, do Porto. Finalmente, a 25 de junho de 1974, o executivo recebeu o projeto de implantação do edifício da Escola Preparatória da vila, tendo o arquiteto anotado na carta que o acompanhava que o “trabalho resultou da troca de impressões que teve com o Arq. Lúcio de Miranda, encarregado do projeto de urbanização dos terrenos adjacentes ao edifício e que o trabalho continuaria a ser analisado em conjunto”. Entretanto, a Câmara já havia sido notificada, pelo Chefe de Gabinete do Ministro da Educação, do processamento de 4.700 contos, para aquisição de terrenos e construção do edifício. Nos restantes meses do ano de 1975 e ao longo dos primeiros meses do ano seguinte, decorrem as negociações para compra dos terrenos da Veiga, onde será implantada a Escola, mas o processo nem sempre decorre amigavelmente. Entretanto arrancam as obras da escola, segundo “Projeto-tipo 3x3”, do Ministério da Educação, o qual tem por base uma solução de grande pragmatismo, de modo a permitir rapidez e economia de execução. A escola estrutura-se a partir de um conjunto de blocos autónomos, com dois pisos, ligados entre si por passadiços exteriores cobertos. Originalmente, as escolas desta tipologia não integram pavilhões gimnodesportivos, pelo que este equipamento só virá a ser construído na escola muito mais tarde.

No verão de 1978, as obras são dadas por concluídas, a tempo para o início do novo ano lectivo, passando a integrar, também, a nova Escola Secundária de Mondim de Basto, entretanto criada pela portaria nº 599/78, de 29 de setembro.

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